Relatório aponta que 68% dos casos de páginas falsas na internet não mencionam marcas no domínio

O primeiro trimestre de 2021 foi desafiador quando falamos de segurança digital. Nunca houve tamanha exposição de dados pessoais na história do Brasil, e especialistas de cibersegurança arriscam dizer que essa é a primeira vez que o mundo todo vê vazamentos nessa proporção.

No lançamento do mais recente relatório de atividades criminosas, referente ao último trimestre de 2020, a Axur, empresa líder em monitoramento de ameaças digitais, já havia apresentado as possíveis tendências para o novo ano, como por exemplo a mudança de comportamento dos criminosos digitais com relação ao uso de domínios genéricos na criação de páginas falsas. O primeiro relatório de 2021 mostra que, de todos os casos de phishing até o momento, 68% deles não mencionam marcas no domínio.

“A nossa teoria é de que os cibercriminosos têm preferência pelos domínios genéricos por conta da maior dificuldade de detecção do que os domínios que trazem nomes das marcas ou similares. O número de phishings que utilizam o nome da marca no domínio do website falso está diminuindo gradativamente, trimestre após trimestre, como vimos em outros relatórios”, explica Fabio Ramos, CEO e fundador da Axur.

Além disso, o setor de e-commerce continua sendo o campeão dos casos de phishing. Apesar da queda acumulada de 27,17% entre o trimestre passado e o atual, de 3.923 para 2.857 casos, o setor das lojas online representa quase metade, exatos 46% do total de casos de phishing dos últimos meses.

“Desde o ano passado, estamos vendo o aumento de golpes direcionados ao e-commerce e isso é diretamente proporcional ao aumento de compras online durante a pandemia, já que o consumidor foi compelido a mudar o comportamento neste novo cenário. E é claro que os criminosos digitais também se aproveitam de quem ainda é novo no universo de compras virtuais”, comenta Ramos.

O relatório ainda mostra que 56% dos sites de phishing com domínio genérico são considerados seguros pelos próprios buscadores, influenciando ainda mais o comportamento das vítimas, que tendem a confiar mais em sites com verificação de segurança.

Outra forma que os cibercriminosos têm adotado para atrair cada vez mais vítimas, é a criação de perfis falsos de marcas nas redes sociais. Neste trimestre, por exemplo, o crescimento foi de 65,4% em relação ao mesmo período de 2020. Além disso, 46% dos perfis falsos não tinham nenhum seguidor, enquanto 63% não seguiam ninguém.

“Essa é uma prática que vem crescendo desde 2020 e que sempre gostamos de alertar nossos clientes e outras empresas. Mas o que é ainda mais importante é continuarmos educando a população para que as pessoas não caiam em golpes e entendam todas as frentes em que os cibercriminosos atuam. O nosso propósito é tornar a internet um lugar seguro e entendemos que educar os usuários é uma forma de avançarmos nesse plano”, conclui Ramos.