Liderança exponencial: o segredo da produtividade

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À quase duas décadas, estrategistas militares cunharam um acrônimo(em inglês) para tentar definira natureza de um mundo cada vez mais imprevisível e dinâmico: VUCA –um ambiente constantemente volátil, incerto, complexo e ambíguo. O tempo passou e a sigla é cada vez mais verdadeira.

O LÍDER TENDE A TER IMPACTO DECISIVO SOBRE O AUMENTO (OU A REDUÇÃO)DA PERFORMANCE DOS COLABORADORES. O MELHOR MODO DE FAZER ISSOÉ DANDO SIGNIFICADO AO TRABALHO DA EQUIPE E CONSTRUINDO A VISÃODE FUTURO | POR LISA KAY SOLOMONH

Por que tantos de nós – individual e coletivamente–não conseguimos imaginar, muitomenos antecipar, asmudanças brutais e disruptivasque estão acontecendo? Impulsionadopor tecnologias sempre mutantes e pelaglobalização, o ritmo da mudança continuaacelerando, nossos cérebros têm dificuldadede acompanhar e o resultado é surpresa, desconfortoe ansiedade.

Não estamos falando de uma anomalia; omundo VUCA vai permanecer.

Do que as organizaçõesprecisam para terem sucesso emum mundo em que a mudança é constante? De líderes que encarem a imprevisibilidade eo dinamismo, trocando o velho pensamentodominante por um novo modelo.

Esses são o que estamos chamando de “líderesexponenciais”. O que isso significa?Líder exponencial é aquele que conseguenavegarpelas águas turbulentas desse mundoVUCA, hoje, e ao mesmo tempo, tem os olhosno futuro.Neste artigo,apresentamos os quatro pilaresda liderança exponencial. São as habilidades fundamentais que os líderes devem dominarpara atuar no mundo de rápidas mudançasatual –não só para criar vantagem estratégicapara suas organizações, mas também para ajudara construir um futuro inclusivo, equitativo,positivo e abundante – o futuro no qual todos queremos viver.

Alguns líderes já são excelentes em algumasdessas habilidades. Um líder exponencial seesforça para dominá-las todas, entende claramentecomo elas se influenciam mutuamente e,na prática, modela-as como um todo integradomuito mais poderoso do que suas partes.

O futurismoA primeira habilidade do líderexponencial éaprender a transformar surpresa em antecipaçãoconsciente. Para isso, os líderes precisamse tornar futuristas habilidosos.

Isso não significa simplesmente extrapolaro ritmo atual de mudança para o futuro.

Significa imaginar novas possibilidades de formaarrojada e otimista –e entender que têm aprobabilidade de surgir antes do esperado.

Líderes terão de se sentir confortáveis tanto como que pode ser conhecido como explorando oque é desconhecido.É assim que muitos líderes atuais funcionam.

Hoje, eles tipicamente administram orisco com uma variedade de processos analíticose estruturas que identificam e mensuramvariáveis quantificáveis. Na maioria das organizações,o futuro primeiro é projetado pormeio de projeções numéricas e planilhas, reforçandoa perspectiva de que o mundo é umaextensão do que conhecemos hoje, e que podemosassociar alguma fórmula numérica paracalcular as predições quantificáveis.

O problema, porém, é que essas previsões sebaseiam na compreensão de variáveis atuais enas tendências existentes.

Vemos eventos futuroscomo uma nova versão de eventos passados,presumindo que o ritmo da mudançaocorrerá sempre em linha reta.

Na verdade, aslinhas apontam para cima, e novas variáveis –tecnologias imprevistas, por exemplo –semprealteram a equação.

O resultado? As previsões não funcionam.Na melhor das hipóteses, ficamos chocados;na pior, destruídos.Não é que não sejamos capazes de imaginarnovas narrativas para o futuro ou estreitar oconjunto de futuros prováveis que consideramos.

É principalmente que nunca fomos ensinadosou tivemos permissão para fazer essaparte de nosso “trabalho cotidiano”.Como futuristas, os líderes precisam se sentirconfortáveis para fazer perguntas abertassobre hipóteses tácitas e ver assim novas possibilidades.

Eles precisam ser curiosos sobre ofuturo e mesclar práticas criativas de previsãoestratégica, retrovisão do futuro, desenho deficção científica e planejamento de cenários noplanejamento de negócios tradicional.

A inovaçãoAlém de imaginar uma gama de novos futuros,os líderes também devem agir comoinovadores, desenhando novos conceitos pormeio de ideação criativa e experimentação rigorosa.

Ultimamente, grandes ideias de novosprodutos podem vir de um simples tuíte ou deuma interação surpreendente com um cliente,e ser testadas com protótipos funcionais emmenos de 24 horas.

No entanto, muitas empresas ainda se concentramprincipalmente em colocar os produtosexistentes no mercado o mais rápido possível,reduzindo custos e aumentando margens.

A aposta estratégica subjacente é colocada nacerteza, minimizando a variabilidade. E se estãotendo sucesso, o foco é defender e expandir o queexiste, em vez de explorar novas oportunidadespor meioda descoberta contínua.

O que muitas vezes falta é um profundo entendimentodo cliente do outro lado da transação,e não um investimento contínuo no designe no desenvolvimento de novos produtos e serviçospara satisfazer necessidades e requisitosemergentes do cliente.

Quando os líderes assumem seu papel deinovadores, eles percebem que devem estarsempre pensando no cliente. Usam processoscentrados no homem, como observação equestionamento, para coletar insights; usamhabilidades de pensamento visual enarrativapara compartilhar hipóteses e ideias de maneirarápida e eficaz; e adotam uma mentalidadede crescimento para testar e reunirevidênciassobre o que aprenderam.Inovadores rigorosos fazem isso continuamente,repetindo várias vezes para descobriroportunidadesobscurecidas pela névoa da incerteza.

A visão tecnológicaÀ medida que a inovação tecnológica acelera,os líderes precisam entender quais tecnologiasimpactarão diretamente seu setor e quaisafetarão setores adjacentes. Cada vez mais, atecnologia pode digitalizar, manipular e substituirprodutos e serviços físicos, desafiando ostatusquode muitas empresas existentes.

A melhor maneira de entender as mudançastecnológicas não é ler sobre elas, mas experimentá-las em primeira mão, aprendendo a codificar,criar ou manipular um robô simples,experimentar novos produtos e serviços quevão além do familiar ou confortável e buscarrecursos de inovação e experimentação.

No entanto, entender a tecnologia apenas doponto de vista de engenharia ou de pesquisa edesenvolvimento (P&D) não é suficiente.

Os líderesexponenciais também terão de lidar comas implicações éticas, morais e sociais das tecnologiasque criam em suas organizações.A evolução da tecnologia está rapidamentesuperando os regulamentos,as leis e as normasexistentesda sociedade. Disso emergemdisputas tributárias e trabalhistas ilustradaspor empresas como Airbnb eUber [no Brasil, astartupLoggiviveu isso no final de 2019], maselas são pálidas em comparação com as batalhaséticas que poderemos enfrentar em breve, quando trabalhadores de grandes empresas industriais,como alimentos ou transporte, foremsubstituídos por sistemas automatizados. E malcomeçamos a explorar as implicações de um futurono qual as mudanças genéticas se tornamsignificativamente mais acessíveis e difundidas.Política e ética não são separadas da tecnologia,e a tecnologia não opera em um silo protegidoe alheio à realidade. Se os líderes apostamno enorme potencial de novas receitas ounas oportunidades de economia de custos quea tecnologia oferece, também devem abraçaras implicações sociais e morais que inevitavelmentese seguirão.

Isso exigirá um novo conjunto de discussões edecisões nas salas de diretoria de todas as empresas,novos comportamentos e normas em todosos laboratórios de desenvolvimento de produtose novas maneiras de educar, recompensar(e até penalizar) os líderes de amanhã.

O humanitarismoOs líderes exponenciais usam as habilidadese comportamentos de futuristas, inovadores etecnológicos para melhorar a vida das pessoasque afetam, e a sociedade como um todo.

Sua intenção é fazer o bem fazendo o bem –nãocomo um conjunto separado de atividades de“responsabilidade social corporativa”, mascomo parte da missão integrada da empresa.Liderar como um humanitário pode significara criação explícita de um negócio usando a tecnologiapara gerar impacto positivo na sociedadee no meio ambiente.

As empresas do sistema B,porexemplo, são organizações com fins lucrativoscertificadas para atender a padrõesrigorososde desempenho socioambiental, responsabilidadee transparência.

Também pode significar investirem políticas e práticas humanas que criamuma cultura positiva e um ambiente de trabalhosignificativo.

Um local de trabalho que inspirafuncionários e parceiros a se esforçarem para alcançartodoo seu potencial.Cada vez mais, a tecnologia também podegerar fundamentalmente novos modelos denegócios e oportunidades de crescimento, permitindoe capacitando novas partes do mundoa se tornarem centros econômicos de crescimentosustentáveis e autônomos.Quando os balões de alta altitude doGoogleconectam as áreas mais rurais e subdesenvolvidasà internet universal de alta velocidade,ou os drones entregam suprimentos médicosapós desastres naturais, podemos começar aimaginar que o grande recurso amplificadopela tecnologia é nossa imaginação, para acreditarque tudo é possível.

Um sistema holísticoEssas habilidades criam papéis: futurista,inovador, tecnológico e humanitário. Eestessão interconectados e aprimorados quando oconhecimento e as ideias fluem entre eles. Umlíder representa um sistema holístico de aprendera imaginar, criar, capturar edimensionarvalor oculto em um mundo cada vez mais complexoe dinâmico.Essa é aessência da liderança exponencial.

Ao praticar as novas habilidades, todos os líderespodem construir futuros mais positivos eprodutivos para seus funcionários, suas organizaçõese o mundo.

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