Físicos da Microsoft dizem que o Universo é um computador em autoaprendizagem

Já alguns teóricos tentaram descrever o universo como uma realidade criada por um supercomputador. Agora, uma equipa de físicos teóricos da Microsoft publicou um incrível artigo de investigação que descreve o Universo como um sistema de autoaprendizagem de leis evolutivas.

Se convertermos estas palavras noutras mais simples, o que os investigadores estão a dizer é que vivemos dentro de um computador que está em aprendizagem contínua.

Já, por várias vezes, se teorizou que esta realidade em que vivemos não passa de um universo criado por software a correr num supercomputador altamente avançado. Os físicos tentam puxar para a temática a simulação da física quântica, entre outros cenários que possam explicar o tanto que desconhecemos. Aliás, o argumento da simulação de Bostrom tem sido um tema quente nos círculos científicos.

Será que o Universo é uma simulação de computador?

A Microsoft tem algo a dizer sobre este tema e há 80 páginas de um artigo que podem baralhar a cabeça pensadora de muito boa gente sobre o tema. Apelidado de “The Autodidactic Universe” e publicado hoje na arXiv, o artigo apresenta um bom argumento superficial para uma teoria nova e matizada de tudo.

Analisando os factos, o universo iria existir ou não existiria. O facto de existir diz-nos como tudo isto acontece. Qualquer artifício (lei) que fez com que isto acontecesse, preparou o terreno para o que quer que acontecesse a seguir. Confuso? Bom, o trabalho ajuda-nos a esclarecer estas dúvidas.

Segundo a Microsoft, as leis que governam o universo são um sistema de aprendizagem evolutivo. Por outras palavras, o universo é um computador e, ao invés de existir num estado sólido, perpetua-se através de uma série de leis que mudam com o tempo.

Mas como funcionará esta máquina?

Esta é a parte difícil. Os investigadores explicam o universo como um sistema autodidata, invocando sistemas de aprendizagem automática (machine learning). Uma vez que podemos ensinar as máquinas a realizar funções de desdobramento ao longo do tempo, ou seja, a aprender, as leis do universo são essencialmente algoritmos que funcionam na forma de operações de aprendizagem.

Por parte dos investigadores:

Por exemplo, quando vemos estruturas que se assemelham a arquiteturas de aprendizagem profunda a emergir em sistemas autodidáticos simples, podemos imaginar que a arquitetura matricial operativa em que o nosso universo evolui, evoluiu de um sistema autodidático que surgiu a partir das condições de partida mais mínimas possíveis?

Na verdade, numa análise mais simplista, percebemos que o tema é poético, mas congruente. Os investigadores referem que compreendemos as leis da física à medida que as observamos, pelo que faz sentido que a lei física original seja incrivelmente simples, auto-perpetuadora, e capaz de aprender e evoluir.

Neste Universo, a física é um “alvo” móvel

Recorrendo a esta forma simples de ver os processos, os físicos sugerem que o Universo não começou com um Big Bang. Muito provavelmente, o Universo apareceu com uma simples interação entre partículas, e aludem a esta origem humilde afirmando que “as arquiteturas de informação normalmente amplificam os poderes causais de coleções bastante pequenas de partículas”.

Uma implicação é que se a evolução das leis é real, é provável que seja unidirecional, pois ao contrário seria comum que as leis voltassem a estados anteriores, talvez até mais provável do que encontrassem um novo estado. Isso ocorre porque um novo estado não é aleatório, mas deve atender a certas restrições, enquanto o estado passado imediato já atendeu às restrições.

Um sistema reversível, mas em evolução, exploraria aleatoriamente o seu passado imediato com frequência. Quando vemos um sistema em evolução que exibe períodos de estabilidade, provavelmente evolui unidirecionalmente.

Referiram os investigadores.

Segundo os investigadores, esta teoria tem consequências. Então, se o universo opera através de um conjunto de leis que, embora inicialmente simples, são autodidáticas (autoaprendizagem), portanto, capazes de evoluir com o tempo, pode ser impossível para os humanos unificar a física.

De acordo com este artigo, as regras que governam conceitos como a relatividade podem ter tido consequências operacionais funcionalmente diferentes, 13,8 mil milhões de anos atrás, do que terão daqui a 100 mil milhões de anos. E isso significa que a “física” é um alvo móvel.

Claro, tudo isso é especulação baseada na física teórica. Certamente, os investigadores não querem dizer de forma literal que o universo é um computador, certo? Bom, o que é dito é que:

Estamos a examinar se o Universo é um computador que aprende.

Em resumo, a teoria parece indicar que o Universo é um computador que aprende, e que as leis pelas quais é atualmente restrito não foram gravadas no seu início. Contudo, é referido também que não podemos reverter o Universo, como um processo, porque não existe nenhum registo internamente verificável dos seus processos – a menos que haja um disco rígido cósmico a flutuar nalgum lugar no espaço.