Estudo informa que 81% das mulheres que atuam em tecnologia sofreram preconceito

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Dados de uma pesquisa da consultoria de recrutamento Yoctoo mostram que 82% delas se sentem pressionadas a provar competência o tempo todo

Foto: Adobe Stock

Uma pesquisa realizada pela consultoria de recursos humanos especializada no setor de tecnologia Yoctoo descobriu que 81% das mulheres já sofreram preconceito de gênero, seja na escola ou no ambiente de trabalho. Mas é neste último ambiente que o preconceito mais acontece, de acordo com 63% das ouvidas.

Para elas, o maior desafio é provar a própria competência técnica o tempo todo, segundo 82%. Na sequência aparece a dificuldade em serem respeitadas pelos pares, superiores e subordinados do gênero masculino (51%).

Destacam ainda o preconceito de gênero dentro das empresas (49%), seguido pela falta de representatividade feminina na área, como forma de inspirar mais mulheres a trilharem carreiras de tecnologia (48%), e a falta de oportunidades nos processos seletivos (39%).

No entanto, segundo o estudo, a luta começa cedo para as mulheres na TI, uma vez que a grande maioria das meninas é desencorajada a estudar ciências exatas, como física e matemática. Na universidade a luta continua: 43% afirmam sofrer preconceito no ensino superior, já que os cursos de tecnologia são majoritariamente compostos por alunos homens.

“É nosso papel proporcionar processos seletivos mais justos, inclusivos e, principalmente, sem nenhum tipo de viés”, pondera em comunicado Paulo Exel, diretor da Yoctoo. “TI ainda é um mercado predominantemente masculino, entretanto incentivamos nossa equipe em todos os processos de seleção, por mais desafiador que possa ser, a buscar candidatos qualificados de todos os gêneros. Acreditamos que com iniciativas como essa, é possível reverter esse cenário.”

Mais de 125 mulheres participaram da pesquisa, entre elas especialistas de TI, líderes de equipe técnica, executivas de TI (CTOs, CIOs,VPs, diretoras), empreendedoras de tecnologia, freelancers e estudantes de tecnologia. As entrevistas ocorream entre 22 e 28 de fevereiro de 2021.

Orgulho, apesar de tudo

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Apesar das dificuldades, as ouvidas pelo estudo que seguiram a carreira em TI dizem não se arrependem. Mais de 63% disseram que o que mais as motiva é a paixão pela área de tecnologia. Em segundo lugar, aparece a remuneração e benefícios bastante atraentes (39%).

Quando questionadas sobre o que é preciso ser feito para que mais mulheres ocupem cadeiras de tecnologia, 52% dizem que é primordial o incentivo dos pais desde a infância, fazendo com que haja interesse das meninas por brinquedos ligados à tecnologia, como jogos de vídeo game, celulares, tablets, entre outros. Em seguida, 48% dizem que a equiparação salarial em todos os níveis também ajudará a mudar esse cenário.

Quando questionadas se percebem que o mercado está amadurecendo quanto à inclusão de mulheres, a maioria (62%) diz que sim, mas ainda de forma bastante lenta.

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Impactos da pandemia

A pandemia parece não ter imposto grandes impactos à empregabilidade das mulheres da tecnologia. Mais de 50% disseram não ter sofrido nenhuma mudança significativa. Outras 23% afirmam ter mudado de emprego, enquanto 15% foram demitidas.

Já em relação ao desenvolvimento profissional das respondentes, das que se disseram impactadas, 32% disseram que houve aumento na demanda de trabalho sem reconhecimento das empresas. Os investimentos em capacitação, como cursos e treinamentos, também sofreram reduções para 20% delas.

Por outro lado, 37% afirmam que o home-office as tornou mais produtivas. A pandemia proporcionou um maior equilíbrio entre a vida pessoal e profissional para 36%. Como maior benefício do trabalho remoto, elas apontam mais flexibilidade de horários (69%).

Entretanto, 51% afirmam que o volume de trabalho aumentou e 49% afirma ter que participar de mais reuniões que antes. Os maiores desafios estão sendo a manutenção da saúde mental (61%) e o equilíbrio entre as atividades de casa e do trabalho (39%).

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