Em quinto dia seguido de queda, bitcoin desaba e volta ao nível pré-Tesla

No auge das perdas nas últimas 24 horas, criptomoeda caiu a US$ 30 mil, mas recuperação nas últimas horas deixa preço perto de US$ 37 mil. Bitcoin caiu mais de 35% em maio, e outras criptos também têm fortes perdas

Em seu quinto dia seguido de fortes quedas, o bitcoin desabou na madrugada desta quarta-feira e, no auge das perdas, chegou a bater em US$ 30.681, caindo de US$ 43.861 na manhã do dia anterior.

Depois, após algumas horas de recuperação parcial, a principal criptomoeda do mundo passou a ser negociada em torno de US$ 37 mil, por volta das 12h de Brasília. Entre as exchanges brasileiras, o preço médio de negociação do bitcoin no mesmo horário era de R$ 200 mil.

Com o desempenho recente, a pioneira e mais popular entre as criptomoedas acumula cerca de 35% em desvalorização no mês de maio.

A cotação retornou ao patamar anterior ao anúncio da Tesla de que havia investido US$ 1,5 bilhão em bitcoins em 2020, no início de fevereiro, que fez o preço disparar para perto de US$ 65 mil em abril.

A queda-livre de hoje disparou a liquidação automáticos de mais de US$ 3 bilhões em derivativos de bitcoin em exchanges – os contratos futuros respondem por quase 50% de todas as negociações envolvendo a criptomoeda no mundo.

Outras criptomoedas também vêm acumulando fortes perdas. A ethereum e a XRP, por exemplo, operavam em queda de 23% por volta das 12h desta quarta-feira, e a cardano caía 24%. O binance coin, token nativo da exchange Binance, operava em queda de 31%.

E a queda chegou também aos ETFs de criptomoedas negociados na bolsa brasileira, com o Hashdex Nasdaq Crypto Index Fundo de Índice (HASH11) caindo mais de 18% por volta das 12h.

Os motivos da desvalorização no segmento cripto nos últimos dias, intensificada hoje, dividem os especialistas.

Alguns veem correções necessárias após um período de quase quatro meses de frenesi que se seguiu aos anúncios de novos investidores institucionais no bitcoin, em especial a estrondosa aplicação da Tesla. Ironicamente, um recuo da própria empresa na decisão de vender carros usando bitcoins, anunciado na semana passada, seria o principal empuxo da atual desvalorização.

O próprio Musk tentou contemporizar os ânimos depois com mais uma publicação no Twitter, dizendo que ainda acredita no potencial das criptomoedas e que a Tesla não pretende vender seus bitcoins, mas isso não parece ter sido suficiente para muitos investidores. E também pesam recentes sinalizações da SEC, a US Securities and Exchanges Commission, equivalente nos Estados Unidos à CVM no Brasil, de que não deve avançar na regulação de novas permissões ao segmento cripto em breve.

Aqui no Brasil, Bruno Milanello, executivo de novos negócios do Mercado Bitcoin, credita a queda dos últimos dias ao recuo de Musk e da Tesla, mas também aos recentes reforços, por parte do governo da China, de sua postura anti-criptos, e a realizações de lucros por parte de investidores. “O dinheiro recebido dos estímulos econômicos foram parar, em parte, em cripto, e essas pessoas começaram a vender para retomar a vida”, ele comenta.

Movimento gera “quedas” em exchanges no exterior

Ao encontro da volatilidade crescente, o movimento de clientes cresceu e gerou inclusive alguns incidentes de problemas técnicos em grandes exchanges no exterior, com usuários relatando quedas temporárias nos aplicativos da Coinbase e da Binance.

No Brasil, a exchange Mercado Bitcoin relata movimento 15% acima da média, mas sem incidentes de queda ou instabilidade, segundo Milanello.