CEO da Oi diz que InfraCo será maior transação de private equity do Brasil

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CEO da Oi, Rodrigo Abreu

A separação estrutural dos ativos da InfraCo é tão importante quanto a entrada de dinheiro com a venda do controle para a Oi. Além de proporcionar a neutralidade comercial e de rede com a qual a companhia espera ter diferencial no mercado de atacado, isso deverá endereçar questões regulatórias, ficando basicamente com todos os ativos de fibra (deixando a Oi com ativos da TV paga, inclusive). Sobretudo, deixará a nova empresa de infraestrutura livre para crescimento.

Durante teleconferência de resultados nesta terça-feira, 13, o CEO da Oi, Rodrigo Abreu, reforçou esse aspecto. “Será a maior transação de private equity da história no Brasil”, afirma. “Ao final da transação, teremos uma empresa com prospecto de sustentabilidade de longo prazo.”

Para tanto, ele lembra que a Oi continuará a manter uma importante participação na InfraCo e, ao mesmo tempo, poderá se beneficiar da melhor capacidade de investimentos e oportunidades de expansão. “Não apenas vai aumentar o valor da companhia, mas vai trazer economia de alguns custos. Vamos ter certeza de fluxo de caixa nos próximos três anos, que serão mais importantes para a estabilidade da operação, e terá sinergias operacionais e estratégicas”, destaca. 

Abreu coloca ainda que é possível que a InfraCo mantenha-se crescendo, inclusive por meio de novas aquisições

Oi TV

Chama atenção que a Oi prevê continuar com os ativos da TV paga, incluindo DTH, IPTV e OTT. Vale lembrar que a operadora previa a venda da unidade produtiva isolada por apenas R$ 20 milhões, mas com um pesado contrato de R$ 2 bilhões pelo uso de capacidade satelital com a SES agregado. Isso pode indicar que a venda da unidade produtiva isolada TVCo não tenha atraído interessados.

Separação

Desta forma, a separação da Infra Co e da Nova Oi (ClientCo) já foi desenhada. Confira abaixo qual unidade ficará com que ativo:

InfraCo

  • Ativos de fibra: toda a rede FTTH e acessos em fibra, além de backbone, backhaul, redes metropolitanas e redes de acesso de dados em fibra. os investimentos conjuntos da BTCM e Oi Móvel também ficarão na InfraCo. 
  • Ativos de transmissão em fibra que não sejam da telefonia fixa: isso inclui rotas de longa distância, equipamentos de backbone para capacidade de banda larga fixa e centros de gerência e supervisão de redes.
  • Infraestrutura de TI: inclui sistemas de operação (OSS), de suporte ao negócio de atacado (BSS), corporativos e de redes de suporte.
  • Operação comercial de atacado: times de marketing, vendas e negócios; contratos de atacado com outras operadoras e swaps de rede. Boa parte dessa equipe já está trabalhando como uma entidade separada, segundo a Oi
  • Equipe de operações e tecnologias de fibra: não confundir com a divisão da Serede, da operadora, que continuará na ClientCo. 
  • Outros: compartilhamento de infraestrutura fornecido pela Oi, direito de uso de imóveis da operadora para colocação de equipamentos e imóveis dedicados. Alguns desses pontos estariam como temas de atenção para a Anatel ao considerar o que será bem reversível. 

Nova Oi (ClientCo)

  • Ativos telefonia fixa: inclui redes de distribuição e acesso em cobre, além equipamentos de comutação e distribuição STFC, sistemas de gestão de rede e rede de orelhões (telefonia de uso público).
  • Ativos de transmissão STFC: incluem as redes de transmissão de longa distância da telefonia fixa e de transmissão de rádio. Torres e capacidade satelital também estão no bolo, junto com o backhaul e backbone legados. 
  • Rede de dados legada: da mesma forma que na telefonia fixa, os ativos baseado em cobre – xDSL e redes de dados – permanecem na ClientCo. Concentradores, BRAS e ativos associados também.
  • Direitos de passagem e infraestrutura do STFC: contratos e infraestrutura relacionada ao serviço permanecem na Oi.
  • Ativos de televisão por assinatura: ativos DTH e IPTV vão permanecer sob o guarda-chuva da Oi. Sistemas de gestão de conteúdo over-the-top também estão entre esses ativos.
  • Infraestrutura de TI: os sistemas de suporte ao negócio para cliente final, assim como corporativos e de suporte ficarão com a Oi. Assim, BSS de clientes consumidores, empresariais e corporativos também, assim como o OSAS de redes legadas. A rede corporativa, e os ativos de TI da Oi Soluções também ficarão nessa área. 
  • Operações de clientes: ficam a base de clientes residenciais, empresariais e corporativos, além do marketing, vendas e desenvolvimento de produtos, Oi Soluções e atendimento a clientes.
  • Outros ativos incluem áreas de suporte, o Serede (serviços de instalação e manutenção de campo), o serviço de atendimento a cliente da Tahto e o Oi Futuro. 

Fonte: TELETIME News

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