86% dos trabalhadores no Brasil não conseguem trabalhar em home office

Cargos que exigem baixa escolaridade, como garçons, manicures e vendedores de lojas, a maioria dos trabalhadores não conseguem fazer home office no Brasil

Desde o início da pandemia de COVID-19 em 2020, empresas de diversos setores anunciaram a adoção do regime de trabalho remoto por tempo indeterminado, mas essa não é a realidade da maioria dos trabalhadores do Brasil. Cerca de 86% dos trabalhadores não conseguem fazer home office. 

O estudo realizado pela empresa de consultoria IDados e divulgado pelo Estadão, constatou que antes da pandemia 79,7 milhões das vagas de trabalho eram presenciais, porém boa parte desses postos foram fechados com a crise sanitária. De acordo com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), a suspensão do Auxílio Emergencial acabou colocando 62,4 milhões de cidadãos brasileiros abaixo da linha da pobreza em 2021, o que representa 29,5% da população.

Segundo o estudo do IDados, a maioria dos profissionais que não conseguem fazer home office são jovens com baixa escolaridade. Por outro lado, uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), constatou que mulheres brancas, com ensino superior completo e idade entre 30 a 39 anos compõem o perfil da maioria dos trabalhadores que conseguem exercer a profissão remotamente.

Trabalhadores não conseguem fazer home office e enfrentam dificuldades para voltar ao mercado

Emprego doméstico é um dos mais afetados pela pandemia, a estimativa é que 1,2 milhões de trabalhadores perderam o emprego no ano passado

Trabalhadores não conseguem fazer home office e ainda encontram dificuldades para retornar ao mercado de trabalho. Mesmo com a retomada das atividades nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, as empresas e comerciantes ainda estão receosos de contratar em regime de carteira assinada, devido ao cenário incerto da pandemia. Com isso, os profissionais que não conseguem atuar remotamente acabam encontrando no emprego informal uma alternativa para continuar se mantendo. 

Existe ainda outro agravante, além da informalidade. Os profissionais que não conseguem recolocação no mercado estão dispostos a receber “qualquer remuneração”, conforme destaca o pesquisador do IDados, Bruno Ottoni. Isso acaba deixando os trabalhadores ainda mais vulneráveis, como ressaltou o economista da LCA Consultores, Cosmo Donato. O economista aponta que “o cenário da segunda onda da pandemia é uma recuperação mais desigual” e evidencia que é preciso tomar medidas como a retomada do Auxílio Emergencial, prevista para abril, para tentar amenizar a situação.